Tipos Sanguíneos em
Cães e Gatos
Referência dos sistemas de tipagem sanguínea reconhecidos na medicina transfusional veterinária, com anticorpos naturais e frequência estimada no Brasil.
🐕 Sistemas de Tipagem Sanguínea — Cão
Sistemas DEA (Dog Erythrocyte Antigen), Kai e Dal
| Tipo Sanguíneo | Anticorpos Naturais | Frequência no Brasil | Notas Clínicas |
|---|---|---|---|
| DEA 1 | NãoAnticorpos anti-DEA 1 surgem apenas após sensibilização por transfusão prévia ou gestação | ~40–60% positivos | Antígeno de maior relevância clínica em cães. Reações hemolíticas graves em segunda transfusão incompatível. Tipagem obrigatória antes de qualquer transfusão. |
| DEA 3 | VariávelAnticorpos naturais descritos em baixa frequência; relevância clínica menor que DEA 1 | ~5–20% positivos | Dados de prevalência no Brasil ainda limitados. Pode causar reação hemolítica tardia. |
| DEA 4 | NãoSem anticorpos naturais; sensibilização por transfusão | ~87–98% positivos | Antígeno de alta prevalência. Considerado "universal" em muitos protocolos, mas incompatibilidade pode ocorrer em receptores DEA 4 negativos. |
| DEA 5 | VariávelAnticorpos naturais descritos em alguns estudos; relevância clínica variável | ~10–25% positivos | Dados brasileiros escassos. Pode contribuir para reações hemolíticas tardias. |
| DEA 7 | SimAnticorpos naturais (IgM) presentes em cães DEA 7 negativos; podem causar reação hemolítica leve a moderada na primeira transfusão incompatível | ~40–55% positivos | Único sistema DEA com anticorpos naturais bem documentados. Reações geralmente menos graves que DEA 1, mas clinicamente relevantes. |
| Kai 1 | DesconhecidoAnticorpos naturais não bem caracterizados; dados ainda preliminares | Dados insuficientes no Brasil | Sistema descrito mais recentemente. Relevância transfusional em investigação. Prevalência no Brasil ainda não estabelecida em estudos populacionais. |
| Kai 2 | DesconhecidoAnticorpos naturais não bem caracterizados; dados ainda preliminares | Dados insuficientes no Brasil | Sistema descrito mais recentemente. Relevância transfusional em investigação. Prevalência no Brasil ainda não estabelecida em estudos populacionais. |
| Dal | NãoSem anticorpos naturais; sensibilização por transfusão prévia | Dados insuficientes no Brasil | Descrito inicialmente em Dálmatas. Cães Dal negativos podem desenvolver anticorpos após transfusão e apresentar reação hemolítica grave em segunda exposição. Prevalência no Brasil não estabelecida. |
🐈 Sistemas de Tipagem Sanguínea — Gato
Sistema AB e antígeno Mik
| Tipo Sanguíneo | Anticorpos Naturais | Frequência no Brasil | Notas Clínicas |
|---|---|---|---|
| Tipo A | SimAnticorpos naturais anti-B presentes, porém em títulos baixos (IgM e IgG); reação hemolítica leve a moderada quando gato tipo A recebe sangue tipo B | ~73–95% dos gatos | Tipo mais prevalente no Brasil e no mundo. Anticorpos anti-B em títulos baixos — reação hemolítica geralmente menos grave que a do tipo B recebendo tipo A. |
| Tipo B | SimAnticorpos naturais anti-A em títulos MUITO ALTOS (IgM e IgG); reação hemolítica aguda grave e potencialmente fatal quando recebe sangue tipo A | ~5–25% dos gatos | Frequência varia por raça: British Shorthair, Devon Rex e Exótico têm maior prevalência de tipo B. Incompatibilidade A→B causa reação hemolítica aguda grave. Tipagem obrigatória em todos os gatos antes de qualquer transfusão. |
| Tipo AB | NãoSem anticorpos naturais anti-A ou anti-B; receptor universal felino | < 1–5% dos gatos | Tipo raro. Gatos AB podem receber sangue tipo A (preferencial) ou tipo B. Não produzem anticorpos naturais contra nenhum tipo. |
| Mik | SimAnticorpos naturais anti-Mik presentes em gatos Mik negativos; podem causar reação hemolítica aguda na primeira transfusão incompatível | Dados insuficientes no Brasil | Antígeno independente do sistema AB. Gatos Mik negativos com tipagem AB compatível podem ainda apresentar reação hemolítica aguda. Explica reações em transfusões AB-compatíveis. Prevalência no Brasil não estabelecida. |
Atenção: Incompatibilidade Felina
A transfusão de sangue tipo A em gatos tipo B causa reação hemolítica aguda grave e potencialmente fatal já na primeira transfusão, devido aos altos títulos de anticorpos naturais anti-A presentes em gatos tipo B. A tipagem sanguínea é obrigatória em todos os gatos antes de qualquer transfusão, independentemente do histórico transfusional.
Gatos com tipagem AB compatível ainda podem apresentar reação hemolítica se o antígeno Mik não for considerado — anticorpos naturais anti-Mik estão presentes em gatos Mik negativos e são independentes do sistema AB.
Tipagem e Crossmatch
A tipagem sanguínea identifica os antígenos eritrocitários do doador e do receptor, mas não substitui o crossmatch. O crossmatch pré-transfusional detecta incompatibilidades não cobertas pela tipagem convencional — incluindo aloanticorpos adquiridos por transfusões anteriores e antígenos de sistemas ainda não tipados rotineiramente (como Kai e Dal em cães, e Mik em gatos). O crossmatch é especialmente importante em pacientes com histórico transfusional ou gestação prévia.