Conduta clínica

Reações Transfusionais

Identificação, classificação e conduta nas reações transfusionais imediatas e tardias.

Reconheça e investigue

Categorias do consenso TRACS (2021). Os sinais podem se sobrepor e a gravidade depende do paciente; os filtros são uma orientação de consulta, não uma classificação automática do caso.

14 resultados

Consulta rápida

ReaçãoGravidade potencialMomentoMecanismoPrimeira resposta
FNHTR · Reação febril não hemolítica Variável Aguda Misto / variável Pausar e comparar a temperatura com o valor basal; investigar hemólise e contaminação antes de considerar reinício.
TAD · Dispneia associada à transfusão Grave Aguda Misto / variável Interromper, avaliar oxigenação e investigar TACO, TRALI, alergia e doença de base antes de classificar como TAD.
TACO · Sobrecarga circulatória Grave Aguda Não imunológico Interromper e avaliar congestão; oferecer suporte de oxigênio e considerar diurético conforme avaliação veterinária.
TRALI · Lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão Crítica Aguda Misto / variável Interromper e tratar a insuficiência respiratória; diferenciar de TACO. Suporte ventilatório pode ser necessário.
ATR · Reação alérgica, incluindo anafilaxia Variável Aguda Imunológico Pausar e avaliar vias aéreas, respiração e perfusão. Anafilaxia exige tratamento emergencial, não apenas observação.
AHTR · Reação hemolítica aguda Crítica Aguda Misto / variável Interromper, conferir identidade e compatibilidade; avaliar hemólise no paciente e na bolsa e estabilizar a circulação.
DHTR · Reação hemolítica tardia Grave Tardia Imunológico Reavaliar anemia e marcadores de hemólise; excluir perda sanguínea e atualizar a investigação de compatibilidade.
DSTR · Reação sorológica tardia Variável Tardia Imunológico Documentar o anticorpo ou a nova incompatibilidade e orientar a seleção de bolsas nas próximas transfusões.
TTI · Infecção transmitida por transfusão Crítica Aguda / Tardia Não imunológico Suspender a unidade suspeita; preservar bolsa e amostras do receptor, comunicar ao banco e investigar o agente.
CIT · Hipocalcemia / toxicidade por citrato Grave Aguda Não imunológico Medir cálcio ionizado e avaliar ritmo cardíaco; corrigir sob monitoramento, por acesso separado do sangue.
AMM · Hiperamonemia relacionada à transfusão Grave Aguda Não imunológico Avaliar alteração neurológica e função hepática; investigar amônia e outras causas metabólicas antes de atribuir à bolsa.
HyTR · Reação hipotensiva Grave Aguda Misto / variável Interromper e confirmar a pressão; avaliar perfusão, hemorragia, hemólise, sepse e anafilaxia.
PTP · Púrpura pós-transfusional Grave Tardia Imunológico Confirmar contagem e esfregaço, avaliar sangramento e solicitar investigação especializada das causas de trombocitopenia.
TA-GVHD · Doença enxerto contra hospedeiro Crítica Tardia Imunológico Encaminhar para avaliação especializada de citopenias e disfunção multissistêmica; preservar o histórico das unidades recebidas.

Detalhes clínicos

FNHTRVariávelAgudaMisto / variávelCãoGatoReação febril não hemolíticaFebrile non-hemolytic transfusion reactionFebre nova: excluir hemólise e infecção antes de atribuir à RFNH.
Como ocorre
Resposta inflamatória associada a leucócitos, anticorpos ou mediadores do produto. Febre isolada não confirma esta reação.
Sinais e avaliação
Febre nova: excluir hemólise e infecção antes de atribuir à RFNH.
Resposta inicial
Pausar e comparar a temperatura com o valor basal; investigar hemólise e contaminação antes de considerar reinício.
Investigar
Comparar temperatura antes e durante a transfusão; verificar plasma, urina e bolsa se houver suspeita de hemólise. Febre com instabilidade exige investigação de sepse.
Prevenção e planejamento
Registrar temperatura basal e discutir leucorredução com o banco. Pré-medicação não substitui vigilância.
TADGraveAgudaMisto / variávelCãoGatoDispneia associada à transfusãoTransfusion-associated dyspneaDificuldade respiratória sem outra categoria definida após investigação.
Como ocorre
Categoria de exclusão para dificuldade respiratória temporalmente associada à transfusão sem critérios suficientes para outra reação.
Sinais e avaliação
Dificuldade respiratória sem outra categoria definida após investigação.
Resposta inicial
Interromper, avaliar oxigenação e investigar TACO, TRALI, alergia e doença de base antes de classificar como TAD.
Investigar
Comparar frequência e esforço respiratório, saturação e imagens torácicas com o estado basal; procurar congestão, edema e doença pulmonar prévia.
Prevenção e planejamento
Documentar o estado respiratório e os fluidos em uso antes de começar; registrar precisamente o início dos sinais.
TACOGraveAgudaNão imunológicoCãoGatoSobrecarga circulatóriaTransfusion-associated circulatory overloadSinais respiratórios com sobrecarga de volume; avaliar circulação e congestão.
Como ocorre
O volume ou a velocidade administrados excedem a capacidade circulatória do receptor, com congestão e edema hidrostático.
Sinais e avaliação
Sinais respiratórios com sobrecarga de volume; avaliar circulação e congestão.
Resposta inicial
Interromper e avaliar congestão; oferecer suporte de oxigênio e considerar diurético conforme avaliação veterinária.
Investigar
Revisar volume total e balanço hídrico. Imagem torácica e avaliação cardíaca ajudam a diferenciar congestão de outras causas de dispneia.
Prevenção e planejamento
Individualizar volume e velocidade, sobretudo em pacientes cardíacos ou renais; incluir outros fluidos no balanço.
TRALICríticaAgudaMisto / variávelCãoGatoLesão pulmonar aguda relacionada à transfusãoTransfusion-related acute lung injuryHipoxemia e lesão pulmonar sem explicação por sobrecarga circulatória.
Como ocorre
Lesão da barreira pulmonar associada à transfusão, com edema não explicado principalmente por sobrecarga circulatória.
Sinais e avaliação
Hipoxemia e lesão pulmonar sem explicação por sobrecarga circulatória.
Resposta inicial
Interromper e tratar a insuficiência respiratória; diferenciar de TACO. Suporte ventilatório pode ser necessário.
Investigar
Investigar hipoxemia e edema pulmonar, relação temporal e causas alternativas de lesão pulmonar. Não presumir TRALI apenas porque há dispneia após transfusão.
Prevenção e planejamento
Documentar e notificar a unidade envolvida. A evidência veterinária para estratégias específicas de prevenção é limitada.
ATRVariávelAgudaImunológicoCãoGatoReação alérgica, incluindo anafilaxiaAllergic transfusion reaction, including anaphylaxisPrurido, edema ou vômitos; comprometimento respiratório ou circulatório é uma emergência.
Como ocorre
Hipersensibilidade a constituintes do produto, variando de sinais cutâneos a anafilaxia com comprometimento sistêmico.
Sinais e avaliação
Prurido, edema ou vômitos; comprometimento respiratório ou circulatório é uma emergência.
Resposta inicial
Pausar e avaliar vias aéreas, respiração e perfusão. Anafilaxia exige tratamento emergencial, não apenas observação.
Investigar
Pesquisar sinais cutâneos e gastrointestinais junto com alterações respiratórias e circulatórias; excluir hemólise e contaminação nos quadros sistêmicos.
Prevenção e planejamento
Guardar histórico da reação, produto e gravidade para planejar exposições futuras. Não presumir proteção completa com pré-medicação.
AHTRCríticaAgudaMisto / variávelCãoGatoReação hemolítica agudaAcute hemolytic transfusion reactionDestruição de hemácias: investigar incompatibilidade e dano não imune ao produto.
Como ocorre
Destruição precoce das hemácias por incompatibilidade imunológica ou dano físico, térmico ou osmótico ao produto.
Sinais e avaliação
Destruição de hemácias: investigar incompatibilidade e dano não imune ao produto.
Resposta inicial
Interromper, conferir identidade e compatibilidade; avaliar hemólise no paciente e na bolsa e estabilizar a circulação.
Investigar
Conferir tipagem e prova de compatibilidade, hematócrito, bilirrubina e evidências de hemoglobinemia ou hemoglobinúria; revisar manejo e conservação da unidade.
Prevenção e planejamento
Conferir paciente e bolsa no ponto de administração; selecionar sangue compatível e usar equipamento e soluções apropriados.
DHTRGraveTardiaImunológicoCãoGatoReação hemolítica tardiaDelayed hemolytic transfusion reactionQueda inesperada do hematócrito após a resposta inicial.
Como ocorre
Anticorpos contra hemácias transfundidas reduzem sua sobrevida após a resposta inicial.
Sinais e avaliação
Queda inesperada do hematócrito após a resposta inicial.
Resposta inicial
Reavaliar anemia e marcadores de hemólise; excluir perda sanguínea e atualizar a investigação de compatibilidade.
Investigar
Comparar hematócrito seriado com a resposta inicial e pesquisar hemólise, perdas e novos anticorpos. A queda isolada não distingue essas causas.
Prevenção e planejamento
Preservar os resultados e datas de transfusões anteriores; repetir a avaliação de compatibilidade quando indicada.
DSTRVariávelTardiaImunológicoCãoGatoReação sorológica tardiaDelayed serologic transfusion reactionNovos anticorpos detectados sem hemólise demonstrada.
Como ocorre
Sensibilização detectada em testes imunológicos sem evidência clínica ou laboratorial de destruição eritrocitária.
Sinais e avaliação
Novos anticorpos detectados sem hemólise demonstrada.
Resposta inicial
Documentar o anticorpo ou a nova incompatibilidade e orientar a seleção de bolsas nas próximas transfusões.
Investigar
Comparar testes pré e pós-transfusionais e verificar ausência de hemólise. Um novo teste incompatível deve acompanhar o prontuário.
Prevenção e planejamento
Rever a compatibilidade antes de nova transfusão; não reutilizar automaticamente a escolha de doador anterior.
TTICríticaAgudaTardiaNão imunológicoCãoGatoInfecção transmitida por transfusãoTransfusion-transmitted infectionPode aparecer cedo ou tardiamente; preservar bolsa e amostras para investigação dirigida.
Como ocorre
Transmissão de um agente do doador ou por contaminação da coleta, processamento ou conservação.
Sinais e avaliação
Pode aparecer cedo ou tardiamente; preservar bolsa e amostras para investigação dirigida.
Resposta inicial
Suspender a unidade suspeita; preservar bolsa e amostras do receptor, comunicar ao banco e investigar o agente.
Investigar
Na suspeita de contaminação bacteriana, cultivar amostras do paciente e do produto. Para outros agentes, selecionar testes segundo espécie, exposição e período de detecção.
Prevenção e planejamento
Combinar triagem do doador, coleta asséptica, cadeia de conservação e rastreabilidade; testes negativos não eliminam toda janela de infecção.
CITGraveAgudaNão imunológicoCãoGatoHipocalcemia / toxicidade por citratoCitrate toxicity / hypocalcemiaInvestigar cálcio ionizado, sobretudo em transfusão maciça ou rápida.
Como ocorre
O citrato anticoagulante liga cálcio; administração rápida ou maciça pode reduzir o cálcio ionizado.
Sinais e avaliação
Investigar cálcio ionizado, sobretudo em transfusão maciça ou rápida.
Resposta inicial
Medir cálcio ionizado e avaliar ritmo cardíaco; corrigir sob monitoramento, por acesso separado do sangue.
Investigar
Avaliar cálcio ionizado em conjunto com sinais neuromusculares, pressão e eletrocardiograma; cálcio total isolado não substitui essa avaliação.
Prevenção e planejamento
Antecipar monitoramento metabólico em transfusão maciça ou rápida; não misturar soluções com cálcio na linha do sangue.
AMMGraveAgudaNão imunológicoCãoGatoHiperamonemia relacionada à transfusãoTransfusion-associated hyperammonemiaAlterações neurológicas; avaliar amônia e diagnósticos diferenciais.
Como ocorre
A amônia pode acumular-se durante o armazenamento; a capacidade de metabolização do receptor influencia o risco.
Sinais e avaliação
Alterações neurológicas; avaliar amônia e diagnósticos diferenciais.
Resposta inicial
Avaliar alteração neurológica e função hepática; investigar amônia e outras causas metabólicas antes de atribuir à bolsa.
Investigar
Investigar função hepática, amônia e outras causas de alteração do sensório; interpretar a relação com o produto e seu tempo de armazenamento.
Prevenção e planejamento
Discutir seleção e armazenamento do produto em pacientes com metabolismo hepático comprometido; evidência veterinária específica é limitada.
HyTRGraveAgudaMisto / variávelCãoGatoReação hipotensivaHypotensive transfusion reactionQueda de pressão: excluir hemorragia, anafilaxia e outras causas.
Como ocorre
Hipotensão associada à transfusão após exclusão de outras causas; mecanismos vasoativos podem participar.
Sinais e avaliação
Queda de pressão: excluir hemorragia, anafilaxia e outras causas.
Resposta inicial
Interromper e confirmar a pressão; avaliar perfusão, hemorragia, hemólise, sepse e anafilaxia.
Investigar
Confirmar a medida e comparar com a pressão basal; correlacionar perfusão, ritmo, sangramento e sinais de outras reações.
Prevenção e planejamento
Registrar pressão e medicamentos antes da transfusão, com reavaliações durante a administração.
PTPGraveTardiaImunológicoCãoGatoPúrpura pós-transfusionalPost-transfusion purpuraTrombocitopenia após transfusão; evidência veterinária limitada.
Como ocorre
Trombocitopenia imunomediada após transfusão. Há poucos relatos veterinários; não presumir essa causa em toda queda de plaquetas.
Sinais e avaliação
Trombocitopenia após transfusão; evidência veterinária limitada.
Resposta inicial
Confirmar contagem e esfregaço, avaliar sangramento e solicitar investigação especializada das causas de trombocitopenia.
Investigar
Confirmar trombocitopenia verdadeira, excluindo agregação; investigar consumo, infecção e outras causas imunomediadas.
Prevenção e planejamento
Preservar histórico e avaliação especializada para futuras transfusões; não há protocolo preventivo veterinário universal.
TA-GVHDCríticaTardiaImunológicoCãoGatoDoença enxerto contra hospedeiroTransfusion-associated graft-versus-host diseaseSíndrome multissistêmica rara; requer investigação especializada.
Como ocorre
Linfócitos viáveis do doador podem reagir contra tecidos do receptor. Evidência clínica veterinária é muito limitada.
Sinais e avaliação
Síndrome multissistêmica rara; requer investigação especializada.
Resposta inicial
Encaminhar para avaliação especializada de citopenias e disfunção multissistêmica; preservar o histórico das unidades recebidas.
Investigar
Avaliar hemograma e comprometimento de órgãos com apoio especializado. A associação temporal sozinha não comprova o diagnóstico.
Prevenção e planejamento
Discutir requisitos de processamento do produto com o banco em pacientes de risco; não extrapolar protocolos humanos automaticamente.

Uso educacional: a escolha do produto, volume e velocidade exige avaliação individual pelo médico veterinário. Siga o protocolo do serviço e as instruções do fornecedor.

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